Complicações e riscos da blefaroplastia
O que pode acontecer depois da cirurgia das pálpebras e os cuidados que diminuem os riscos

Dr. Luigi SeronniMédico oftalmologista · Plástica ocular
CRM-MT 10849 · RQE 5206
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Por que falar de complicações
Apesar de a blefaroplastia ser, na maioria dos casos, uma cirurgia de recuperação relativamente rápida, com baixos riscos de complicações e pouco dolorosa, acho extremamente importante um texto explicando as complicações possíveis. Assim como em uma bula de medicamento, por questões éticas não poderíamos deixar de abordar esse tema.
As mais comuns: inchaço e roxo
As complicações mais comuns após as cirurgias das pálpebras são o inchaço e o roxo. Isso ocorre pelo fato de a região periocular ser muito bem vascularizada e de a pele ser muito fina. O inchaço pode ocorrer na pele e na conjuntiva (quemose). Geralmente são transitórios e não costumam atrapalhar o resultado final da cirurgia.
Outras complicações possíveis
A sobra residual de pele ou de bolsas de gordura pode tornar necessária uma nova intervenção, para o devido retoque.
Sangramentos também podem estar entre as complicações. Suas principais causas são o uso de medicações que inibem a coagulação, a pressão arterial descompensada, o trauma no local da cirurgia e o esforço físico.
O rompimento dos pontos geralmente é decorrente de trauma local, esforço físico e processo infeccioso.
Alterações no posicionamento das pálpebras podem ocorrer, seja por retração devida ao processo cicatricial exacerbado, por flacidez não corrigida ou por retirada de pele em excesso.
Após a reabsorção dos edemas (inchaço) e das equimoses (roxos), podem ficar algumas manchas mais escuras na região próxima à cirurgia. A exposição solar é um dos fatores que influenciam a hiperpigmentação da pele.
Apesar de raras, pode haver infecções locais. Elas se manifestam com dor, edema, vermelhidão e secreção e podem deixar uma cicatriz mais evidente.
Visão dupla (diplopia) também pode ocorrer. Dentre as causas, destacam-se as transitórias, que podem ser por edema ou sangramento, e as definitivas, que são por lesão direta de algum dos músculos responsáveis pelos movimentos dos olhos.
A mais grave
A pior de todas as complicações que podem ocorrer na cirurgia das pálpebras é o hematoma que sangra para dentro da cavidade orbital e comprime o nervo óptico, levando à cegueira. Felizmente é muito rara, e o cirurgião deve ser bem formado para estar atento a qualquer sinal ou indício de sua ocorrência.
Os cuidados
A blefaroplastia é uma das cirurgias plásticas mais realizadas em todo o mundo. Apresenta baixo risco de complicações e costuma ter um pós-operatório tranquilo, mas isso não significa que seja isenta de complicações. A região dos olhos é nobre pela visão e pela estética, então todos os cuidados possíveis têm que ser tomados.
Dentre os cuidados, é importante dizer que a saúde ocular está em primeiro lugar. Sendo assim, temos que respeitar todos os limites de segurança na marcação, para depois nos preocuparmos com os excessos. É preciso realizar os procedimentos no centro cirúrgico, fazer uma avaliação oftalmológica adequada, solicitar os exames pré-operatórios, fazer uma avaliação minuciosa no pré-operatório, planejar a cirurgia de maneira individual para cada paciente, usar materiais de qualidade e sempre investir em conhecimento técnico.
É fundamental que o paciente siga as orientações dadas no pós-operatório e que faça o uso correto das medicações.
Durante a recuperação, veja quando procurar ajuda. As intercorrências e os riscos também constam do termo de consentimento, lido e assinado antes da cirurgia.